O que vale mais: referências ou vivências?

“Filosofia e poesia é o que dizia a minha vó: antes mal acompanhada do que só.”

A avó de Erasmo Carlos era dotada de uma sabedoria politicamente incorreta que dificilmente sobreviveria aos dias de hoje. Se existe algo que a ampliação da consciência sobre os problemas alheios nos ensinou é que, definitivamente, mal acompanhada é muito pior do que ficar sozinha.

Mas não devemos desconsiderar a genialidade de Erasmo, mesmo quando cita sua desatualizada avó. A frase anterior revela algo profundo: filosofia e poesia não vivem desconectadas. Uma pensa o mundo, a outra o sente. E talvez a maturidade consista em aprender a viver nesse espaço entre o pensar e o sentir.

Recentemente participei do curso Filosofia da Tecnologia, no incrível Distrito Itaqui — uma área de 1 milhão de metros quadrados de Mata Atlântica preservada, fundada e mantida com excelência pelos organizadores do IT Fórum. Um espaço dedicado à inovação sustentável que une Educação, natureza e negócios em um mesmo território, a menos de uma hora de São Paulo.

Foi uma honra estar ali. Além de aprendiz, fui convidado a ministrar uma aula sobre redes sociais para um grupo de líderes executivos. E confesso: as reflexões foram tão profundas que acabei abandonando quase todo o material que havia preparado. Em vez de falar de números, métricas e referências, decidi ouvir meu coração. Falei sobre minha experiência de desconexão digital — e sobre como a vida fora das telas tem sido o verdadeiro laboratório da minha pesquisa.

Porque, no fim, de que adianta citar Byung-Chul Han se não conseguimos suportar o silêncio? De que adianta conhecer todos os dados sobre atenção, dopamina e vício em notificações se continuamos reféns delas? O que nos salva não é o repertório teórico, é a prática cotidiana de voltar a sentir.

Percebi que todos estavam ali em busca de algo que o LinkedIn não entrega: presença. A filosofia dá o sentido, a poesia dá o ritmo, mas é a vivência que dá corpo ao que pensamos. E talvez o grande desafio do nosso tempo seja reconciliar essas dimensões — saber quando o estudo acadêmico precisa dar lugar à emoção, quando o excesso de informação precisa abrir espaço para que, da confusão do ser humano, surja algo efetivamente novo.

Vivemos uma era em que referências técnicas são mais valorizadas que experiências humanas honestas. Mas talvez o futuro pertença a quem souber inverter essa equação. Porque, no fim, a aula não era sobre redes sociais. Era sobre redes humanas. Sobre o que permanece quando a conexão cai. E sobre como a velha sabedoria da vó de Erasmo ainda ecoa, mesmo fora de moda: filosofia e poesia não se separam.

NO AR: INTELIGÊNCIA ORGÂNICA

Reflexões sobre tecnologia, pensamento crítico e o que nos torna humanos.

EP.52 – Futuro do Trabalho: Remoto, Híbrido ou Presencial? | Sylvia Hartmann

O que realmente funciona no novo mundo do trabalho?

Recebo Sylvia Hartmann, fundadora da Remota e pesquisadora da FEA/USP, para discutir o futuro das relações profissionais e o impacto da IA nas formas de organização. Uma conversa direta sobre liderança, autonomia e o preço da presença.

Ouça no Spotify | Assista no YouTube

EP.53 – O que a Rede Globo Não Mostra | Ernesto Paglia

Como o jornalismo se reinventou — e o que se perdeu no caminho?

Recebo Ernesto Paglia, repórter e correspondente histórico da TV Globo, para falar sobre bastidores, ética e o impacto da tecnologia na comunicação. Um diálogo sobre texto, tempo e o futuro da verdade.

Ouça no Spotify | Assista no YouTube

Convite Especial – Alma Talks | Summit Cultural 2025

O Alma Talks chega a São Paulo em uma edição especial que reunirá grandes vozes da comunicação, da escrita, da psicanálise e da educação.

Serão três painéis de palestras de 40 minutos — um grande encontro pensado para quem busca conteúdo de qualidade, troca de ideias e reflexões sobre os temas que moldam o mundo em que vivemos.

Pedro Mota Cortella (@pedrocortella) apresenta:

“Se é Pixel, Não é Real – O Humano em Tempos de Inteligência Artificial”

Vivemos numa era em que tudo pode ser simulado: amor, empatia, conhecimento, presença. Em um mundo moldado por redes, métricas e inteligências artificiais cada vez mais convincentes, Pedro convida o público a refletir sobre os limites entre o real e o representado, entre a persona e a presença, entre o algoritmo e a alma.

06 de novembro
São Paulo – Teatro das Artes – Shopping Eldorado
Abertura dos portões: 19h
Início das palestras: 20h

Garanta seu ingresso aqui

Compartilhe esse conteúdo:

Artigos recentes

Anatomia de uma queda

Deve acontecer com todo palestrante pelo menos uma vez na vida. Comigo a primeira vez foi em Bauru, no palco do CONGERHI, evento para profissionais de RH organizado pela palestrante Tati Souza. Subi ao palco

Leia mais »

INSCREVA-SE PARA A NEWSLETTER RESISTÊNCIA HUMANA

Uma pausa para pensar no que (ainda) nos faz humanos
Essa é uma newsletter para quem sente que o mundo está girando rápido demais — e quer refletir, com calma, sobre os caminhos da Educação, os impactos da inteligência artificial e o papel das redes sociais na nossa forma de viver, aprender e conviver. Toda semana, você recebe ideias frescas, perguntas incômodas e alguns pontos de luz no meio do ruído digital. Se você acredita que pensar é um ato coletivo, assina aí. Vai ser bom ter você nessa conversa.

Esses dados serão utilizados para entrarmos em contato com você e disponibilizarmos mais conteúdos e ofertas. Caso você não queira mais receber os nosso emails, cada email que você receber, incluirá ao final, um link que poderá ser usado para remover o seu email da nossa lista de distribuição.

Para mais informações, acesse: https://hotmart.com/pt-br/legal/privacidade-de-dados/