Pensar que os números, as horas, os minutos, os segundos e os anos foram inventados por seres humanos é um exercício muito estimulante. Imagine que em algum momento da história, um pessoal ficou observando os dias, o sol, as estações e sei lá mais o que para chegar na conclusão de que o tempo deveria ser contado assim.
Eu duvido que você encontre alguém que viva sem contar o tempo. Acho que o Sartre quando disse que “O homem está condenado a ser livre” deve ter pensado que somos livres mas prisioneiros desse tempo contado em símbolos que interpretamos como parte indissociável da nossa existência. O ser humano não tem escolha a não ser ser livre, mas essa liberdade é angustiante porque ela implica na constante necessidade de fazer escolhas em relação ao tempo contado.

Eu particularmente gosto de contar o tempo. Gosto da ilusão de que tudo é cíclico. Adoro reveillon por acreditar em recomeços. Curto a vibe de contagem regressiva, roupa branca, cueca amarela, promessas e metas. Gosto de imaginar que até hoje o Roberto Carlos também deve curtir. Afinal, um dia ele e Erasmo escreveram “daqui pra frente, tudo vai ser diferente…”
Esse ano começou diferente. Estou escrevendo enquanto vivo minha experiência de minimalismo digital. Como disse que faria, arquivei todos os grupos do whatsapp, não assisti nenhuma série, não vi vídeos e não li quase nenhuma notícia – sucumbi um pouco há alguns dias ao levantar numa manhã com todos comentando sobre a Venezuela. Consegui usar o celular somente para o essencial.
Nesse período dormi bem como nunca e li mais páginas de livros de papel do que nunca. Trabalhei minha memória e desenvolvi a subestimada habilidade de ser antissocial. Me desvinculei de uma série de invenções humanas. Prisões que algumas pessoas criaram e que outras pessoas que vieram depois interpretaram como parte indissociável da nossa existência. Não são!
Nesse 2026 é preciso reavaliar quais invenções humanas valem a pena seguir usando e acreditando. A contagem do tempo acho que vou manter mas tenho minhas dúvidas. E você?
NO AR: INTELIGÊNCIA ORGÂNICA
Reflexões sobre tecnologia, pensamento crítico e o que nos torna humanos.
EP.72 – O Pêndulo da História, o Fim do Pessimismo e o Segredo do Ego | Monja Coen
Em um tempo marcado por ansiedade crônica, burnout e esgotamento digital, recebo a Monja Coen para uma conversa sobre Zen, realismo e a ilusão do pessimismo permanente. Falamos sobre o ego não como inimigo, mas como parceiro; sobre tecnologia como prazer que exige medida; sobre cancelamento, pertencimento e a ideia de que o legado não nos pertence. Um episódio que propõe menos desespero diante das crises políticas, climáticas e sociais — e mais compreensão do movimento pendular da história, onde nada é fixo e tudo passa.
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EP.73 – Ciclo da Marca Pessoal, Ética e o Fim da Imprevisibilidade | Ton Luccas
O que separa um expert de um picareta na internet? Recebo Ton Luccas para uma conversa técnica e direta sobre o Ciclo da Ascensão Natural das marcas pessoais, os vícios da dopamina digital e as armadilhas éticas do mercado de cursos — especialmente na Black Friday. Falamos sobre vaidade, crítica, polarização como estratégia de audiência, linguagem como estética e o risco real da IA nas próximas eleições. Um episódio sobre maturidade, previsibilidade e o custo humano de crescer sem ética.
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EP.74 – Gestor de IA, Tokenização e o Fim do Lucro sem Ética | Renato Santana
Recebo Renato Santana para uma das conversas mais pragmáticas sobre Inteligência Artificial já feitas no podcast. Falamos sobre o surgimento do Gestor de IA como figura central nas organizações, os riscos da automação guiada apenas pela ganância, a falência de 95% das POCs e o perigo do tecnofeudalismo. Discutimos ética, segurança, tokenização, bolhas de mercado e o papel do gestor como arquiteto de significado — defendendo a IA como copiloto, não como substituta total do humano.
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EP.75 – Hipnose de Consumo, Fim dos Influenciadores e a Filosofia do “Talvez” | Hugo Cavalari
Como a tecnologia sequestra nossa atenção sem que percebamos? Recebo Hugo Cavalari para uma conversa profunda sobre neuromarketing, hipnose de consumo, IA generativa e o colapso do modelo tradicional de influência digital. Falamos sobre agentes artificiais, deepfakes, saúde, decisões automatizadas, traumas financeiros e a chamada “internet morta”. Um episódio que propõe abandonar certezas fáceis e adotar a filosofia do “talvez” como única forma lúcida de atravessar a era da performance extrema.
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CURSO: FORMAÇÃO EM GESTÃO DE IA
Se esses episódios deixaram claro que o problema não é a tecnologia, mas as decisões humanas ao redor dela, a Formação em Gestão de Inteligência Artificial da ESPM foi criada exatamente para isso. O curso está confirmado, começa em 22 de janeiro, e é voltado a quem precisa liderar projetos de IA com visão estratégica, ética, governança e responsabilidade real — muito além do hype das ferramentas. Uma formação para quem entende que IA não é sobre eficiência cega, mas sobre escolhas que deixam legado.
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Até a próxima, Pedro Cortella.

