O “esquenta” para a Formação em Gestão de Inteligência Artificial que começo agora em janeiro, na ESPM, foi – perdoe a infâmia – quente. Não pelo calor que fazia em São Paulo, mas pelo tema da aula: o fator humano na era da IA, ética, tomada de decisão e liderança real.
Tomei como base um artigo da California Management Review, assinado por Dritjon Gruda e Brad Aeon, que deveria colocar pulgas atrás da maioria das orelhas.
Basicamente, o texto mostra que a IA te faz “fingir” criatividade porque, na real, o que você tá produzindo não é “aqueeeeela” criatividade tão criativa assim. O pessoal mais antigo diria que a criatividade que você tira da IA “não é assim uma Brastemp”.
Claro que quase ninguém faz isso de forma consciente. O sujeito não acorda pensando “vou simular criatividade”. Ele apenas performa. E ao performar com a ajuda da máquina, passa a acreditar que aquilo é criatividade. No texto que você tira do GPT e adapta para ficar com a tua cara, a ideia parece nova — e muitas vezes é melhor do que aquilo que você faria sozinho. O bloqueio criativo diminui e a sensação de competência aumenta.
O problema aparece quando a análise de quem lê sai do indivíduo e olha para o coletivo. Aí entra o tal “pulo do gato” que só a ciência consegue mostrar com dados. Quando grupos inteiros usam IA generativa, acontece um fenômeno curioso: as ideias ficam cada vez mais parecidas entre si.
O resultado é um paradoxo: individualmente, todos parecem mais criativos; coletivamente, tudo fica mais homogêneo, pasteurizado, meio bobo, meio igual.
Eu acho engraçado pois quanto mais a tecnologia traz “facilidades”, mais a vida vem e escancara que não existe atalho.
No meu detox de tela finalmente terminei o Sociedade do Cansaço do Byung-Chul Han. O frenesi da Inteligência Artificial se encaixa perfeitamente no que ele escreveu lá em 2010.
Vivemos a era do sujeito de desempenho, que se explora voluntariamente, que se cobra produtividade constante, que se transforma ao mesmo tempo em capataz e escravo de si mesmo.
Essa discussão aprofundada inclusive com os antídotos para a criatividade pasteurizada vai estar na Formação em Gestão de Inteligência Artificial. Um curso para quem não quer apenas “usar IA”, mas aprender a decidir com ela, liderar com ela e, principalmente, estabelecer limites éticos e estratégicos num mundo cada vez mais automatizado. Se fizer sentido para você, conheça o programa do curso clicando aqui.
Até a semana que vem!
NO AR: INTELIGÊNCIA ORGÂNICA
Reflexões sobre tecnologia, pensamento crítico e o que nos torna humanos.
EP.76 – Falsolatria, Matrix Digital e a Indústria do Ódio | Jean Wyllys
Recebo Jean Wyllys para uma das conversas mais densas e necessárias do podcast. Falamos sobre a colonização simbólica promovida pelas Big Techs, a “Matrix Digital” que transforma afetos em combustível político e a desinformação como modelo de negócio. Jean revisita sua trajetória pública — do BBB ao exílio — para mostrar como o pânico moral e o ódio organizado se tornaram ferramentas centrais de desestabilização democrática. Discutimos ecologia dos meios, a partir de Marshall McLuhan, o falso oceano democrático que virou aquário algorítmico e o papel da arte como refúgio, resistência e produção de sentido num mundo monitorado por máquinas. Um episódio sobre dor, lucidez e a coragem de lutar dentro do sistema sem perder a alegria.
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EP.77 – Longevidade, Memória Corrompida e o Fim da “Coisa da Idade” | Mayara Coronado
Recebo Mayara Coronado para uma conversa que desmonta mitos profundos sobre envelhecimento, memória e tecnologia. Falamos sobre como a vida acelerada e automatizada está corroendo nossa capacidade de registrar experiências — não só em idosos, mas também em jovens. Discutimos a diferença entre gerontologia e geriatria, o peso real do estilo de vida frente à genética, os fatores de risco para demências e o papel decisivo da educação ao longo da vida. Passamos por testes de memória ao vivo, letramento digital, golpes financeiros e a ilusão de conexão promovida pelas telas. Um episódio que mostra por que presença, vínculo e cuidado ativo com o corpo e a mente são tecnologias humanas insubstituíveis.
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Até a próxima, Pedro Cortella.

