Conhece a procrastinação produtiva?

Nunca fui um cara que ama rotina rígida. Sempre questionei os métodos que fazem seres humanos funcionarem como máquinas de produtividade. Aliás, sempre fui aquele que diz que, se você funciona como uma máquina, a Inteligência Artificial vai te substituir.

Mas a dura verdade é que o preço da tua língua é proporcional ao tamanho do teu ego. A boa notícia é que o meu, pelo visto, está em desconstrução.

Depois de um mês fora das telas e fora de São Paulo, a retomada da vida “normal”, com suas obrigações caóticas — agora, no entanto, com muito mais seletividade no uso das redes e das cargas de dopamina — me gerou um problema inusitado: a procrastinação produtiva.

Parece um paradoxo, uma antítese. Mas não é. E eu explico.

Estou lendo mais livros de papel. Tenho feito mais exercício e passado mais tempo olhando a janela, a chuva, ouvindo o encantador barulho das milhares de construções que me cercam — difícil ser calmo nessa cidade. Como preciso preparar minhas aulas do curso de Gestão de IA, estou me aprofundando de forma objetiva nesse assunto para embasar academicamente minhas apresentações. Por sinal, não há melhor forma de aprender qualquer coisa do que se propor a ensiná-la. Já tentou? É incrível. Isso tem me feito um pesquisador melhor, um curador melhor e um usuário muito melhor de ferramentas de inteligência artificial.

Estou promovendo o conceito de “cérebro ampliado”, aquele que efetivamente apura nosso pensamento crítico e não nos torna apenas reféns das ferramentas. Esse tema conversa demais com tudo o que venho desenvolvendo ao martelar, nos últimos anos, ideias como “se é pixel, não é real”, “use sem ser usado” e afins.

Mas a procrastinação surge justamente desse novo arranjo de produtividade. A vida em que me coloquei nos últimos anos não permite monotasking. É preciso girar todos os pratos sem deixar nenhum cair.

Se estou voando como professor, estou paralisado como creator — algo que me propus a voltar a ser neste ano da graça de 2026. Não por amor ao algoritmo, mas por necessidade. Reativar meu YouTube, voltar a produzir reels e ampliar meu público é algo que precisa ser destravado com urgência.

E o livro, lembra? Também ficou travado.

Foi aí que meu GPT, em parceria com meu terapeuta, me ajudou a entender a causa dessa paralisia: são modelos mentais diferentes. É impossível querer desenvolver uma tese que nasce da inflexão enquanto estou preocupado com a retomada do engajamento. Não dá pra criar essas duas coisas ao mesmo tempo. Dá TILT na máquina.

Como sair dessa enrascada, Batman?

Recorri à IA para resolver o meu problema — e isso gerou um insight que acabou se transformando num exercício bacana para a segunda aula da turma da ESPM.

A solução foi compartimentar o meu dia. Blocos de algumas horas em que as ações são organizadas como um robozinho — algo que sempre me causou pavor. Com a ajuda da minha IA favorita, o NotebookLM, fiz até um infográfico bonitão para colocar na parede do escritório. Tem hora pra tudo: pra ficar com a minha filha, pra ler, pra gravar vídeos, pra editar, pra almoçar, pra tomar banho, pra interagir com outras pessoas. Criei a prisão perfeita para mim mesmo.

Cem por cento focado. Cem por cento objetivo. Com espaço para respiros, mas sem a oficina do diabo aberta para a depressão. Por incrível que pareça, está funcionando.

Em uma entrevista a um podcast, anos atrás, Jerry Seinfeld disse que “uma vida abençoada é aquela em que você encontra a tortura que te deixa confortável”.

Acho que agora entendi, Jerry.

NO AR: INTELIGÊNCIA ORGÂNICA

Reflexões sobre tecnologia, pensamento crítico e o que nos torna humanos.

EP.82 – Chupetas do Cérebro, IA e o Poder do Aprendizado Incidental | Conrado Schlochauer

Recebo Conrado Schlochauer, doutor em Psicologia da Aprendizagem pela USP, empreendedor e autor de Lifelong Learners, para uma conversa afiada sobre como estamos terceirizando o esforço cognitivo em troca de conforto mental. Falamos das redes sociais como “chupetas do cérebro”, da atrofia provocada pelo scroll infinito e da diferença entre aprender a vida toda e aprender ao largo da vida, a partir do acaso e das experiências reais. Conrado compartilha como usou a inteligência artificial como aliada no processo de pesquisa do seu livro sem abrir mão da autoria humana e defende a leitura de ficção como um verdadeiro treino de resistência para a atenção. Um episódio sobre autodireção, maturidade intelectual e a última milha do aprendizado — aquela que nenhuma tecnologia consegue percorrer por você.

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EP.83 – Inteligência Relacional, o Fim do Vendedor Tradicional e a Arte de Ajudar | Marcela Quiroga

Recebo Marcela Quiroga, especialista em vendas com mais de 27 anos de experiência e liderança de equipes com milhares de consultoras, para uma conversa potente sobre o futuro das vendas em um mundo automatizado. Falamos do preconceito histórico contra a profissão, da obsolescência do vendedor que apenas empurra produtos e da emergência do que Marcela chama de Inteligência Relacional: a combinação entre IA para escala e Inteligência Orgânica para conexão real. Discutimos empatia, letramento digital, venda direta, autonomia financeira e por que ajudar — de verdade — se tornou o maior diferencial competitivo. Um episódio sobre dignidade, escuta e o papel profundamente humano de quem vende em tempos de algoritmos.

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