Deve acontecer com todo palestrante pelo menos uma vez na vida. Comigo a primeira vez foi em Bauru, no palco do CONGERHI, evento para profissionais de RH organizado pela palestrante Tati Souza.
Subi ao palco após o almoço, logo na sequência de uma dinâmica cuidadosa que a Tati realizou com os cerca de 500 presentes para evitar aquele soninho da digestão. E deu certo. Quando comecei a falar, senti a galera conectada e animada.
Após uns 20 minutos, estava eu efusivamente explicando o efeito Dunning-Kruger com o intuito de dissecar para o público a epidemia de superficialidade causada, em grande parte, pelos algoritmos das redes sociais, quando fui apontar a parte mais profunda do gráfico no telão atrás de mim.
Mal sabia eu que iria me aprofundar na prática. Pisei fora do palco — que, por sinal, estava devidamente sinalizado — e sentei de forma involuntária com a virilha na quina da estrutura. Não sei exatamente como, mas me levantei em frações de segundo e continuei falando.
Se te dissesse que lembro do conteúdo da palestra depois disso, estaria mentindo. Fui no automático. Ao final, procurei a equipe de gravação para entender como tinha caído.
E aí está o ponto que me intriga. Logo depois do fim da palestra, fui dividir num grupo de amigos o que tinha acontecido. Um deles, antes mesmo de perguntar se eu estava bem, já cravou: “vai viralizar!”
Veja só que coisa. Provavelmente ele estava certo, mas fiquei no dilema pessoal. Será que eu queria o vídeo para me ver ou para postar para os outros verem? Será que é isso que importa? Caí, então melhor fazer do limão uma limonada? Mas e se viralizar — eu quero ficar conhecido como “aquele palestrante que caiu”?
Dilemas que assinalam todas as caixinhas de um grande white people problem, mas que ficaram comigo no fim de semana.
Fiz uma série de testes e edições com o vídeo da queda. Desde só o momento em corte curto, até uma versão que tenta contextualizar o que eu estava explicando na hora.
Provando Dunning-Kruger na prática: o algoritmo entregou mais o vídeo curto, sem contexto, sem explicação. Escolhi compartilhar a versão que contextualizava. Tá bombando.
Confira: instagram.com/reel/DWOySX3EUA0
NO AR: INTELIGÊNCIA ORGÂNICA – Reflexões sobre tecnologia, pensamento crítico e o que nos torna humanos.
EP.97 – A MATRIX DAS REDES, 17 FRACASSOS E A ANATOMIA DO INCONSCIENTE | ELTON EULER
Estrategista de narrativas e idealizador da Aliança Divergente, Elton Euler abre a “caixa-preta” de sua trajetória — de 17 falências ao topo do desenvolvimento humano. O episódio disseca a teoria da “Pré-Queda”, revelando como traumas invisíveis moldam problemas de saúde, dinheiro e relacionamentos. Em uma conversa sem filtros, Elton questiona se a liberdade digital não se tornou uma nova escravidão e faz um alerta contundente sobre o ego, o marketing de massa e a linha tênue que separa movimentos legítimos de seitas modernas.
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EP.98 – CÉREBRO PALEOLÍTICO, FARSAS CIENTÍFICAS E O FIM DO LIVRE-ARBÍTRIO | RAFAEL KRAISCH
O divulgador científico Rafael Kraisch traz o rigor do método para o centro do debate sobre a mente. Do passado como monge ao ceticismo atual, Rafael explica por que operamos com hardware biológico de 300 mil anos em um mundo de algoritmos divinos. A discussão atravessa o perigo das Constelações Familiares, o mito da testosterona e a “muleta cognitiva” da IA, concluindo que nossa razão é apenas uma passageira tentando explicar as decisões que o corpo já tomou. Um antídoto essencial contra o neurocharlatanismo e as pseudociências de prateleira.
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EP. 99 – ANCESTRALIDADE, POÉTICA E O FIM DA HUMANIDADE | KATIUSCIA RIBEIRO & ELIANE MARQUES
Gravado no Festival Fronteiras do Pensamento, este episódio promove um encontro histórico entre a filosofia e a poesia para diagnosticar o colapso do conceito ocidental de “humanidade”. A filósofa Katiuscia Ribeiro e a poeta Eliane Marques propõem o resgate das filosofias africanas como a única tecnologia capaz de curar uma sociedade exausta pelo excesso de controle e razão. A conversa é um manifesto pelo “sinto, logo existo”, reivindicando o afeto, a maternagem e a memória quilombola como bússolas para um futuro que não seja apocalíptico.
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Até a próxima, Pedro Cortella.