O Devorador de Negócios Humanos

Não há nenhuma vantagem para quem tenta ficar atualizado sobre os avanços da Inteligência Artificial. Quem vive nessa corrida só encontra ansiedade e decepção. Há pelo menos três anos as novidades se atropelam, e todos os dias brota uma avalanche de conteúdo — tanto de especialistas quanto de surfistas do hype — sobre os mais novos modelos que fazem de tudo e mais um pouco.

Isso sem falar nos posts sobre o impacto do uso de cada IA e nos conteúdos que reagem ao que está sendo criado com o que acabou de sair. Tem também aqueles que aprendem algo num dia para, horas depois, subir no YouTube uma aula sobre como usar o novo modelo “melhor que 99% das pessoas”.

E há ainda todo o universo da mídia — novamente, tanto a fundamentada quanto a simplesmente barulhenta — que vive apenas para repercutir as declarações de CEOs que, toda semana, anunciam um novo apocalipse.

Esse início rabugento tem um motivo: o Google.

Dois lançamentos foram anunciados nos últimos dias. O primeiro: uma ferramenta que promete substituir estúdios de fotografia do mundo inteiro. O nome é Pomelli Photoshoot. Ainda não está disponível no Brasil, mas o vídeo é autoexplicativo.

Para piorar, em pleno carnaval (que deselegante!), essa corporação — que detém os dados de praticamente todo mundo — anunciou que o Gemini, com o novo modelo Lyria 3, criará músicas a partir de prompts.

Para mim ainda não aparece como disponível, mas em algum lugar do mundo já está funcionando e, em breve, estará aqui também.

Nada nesses lançamentos é exatamente uma “novidade tecnológica”. Existem outras empresas que já fazem o que esses dois recursos se propõem a fazer. A questão é que, quando o Google abocanha mais um mercado, dificilmente os outros resistem. Tudo ganha uma escala insana quando vira “produto Google”.

Será que ninguém nessa empresa nunca citou Joanna Maciejewska? Autora de ficção, ela viralizou há cerca de dois anos com a seguinte frase:

“Eu quero que a Inteligência Artificial lave minhas roupas e minhas louças para que eu possa fazer arte e escrever — e não uma IA que faça minha arte e minha escrita para que eu possa lavar minhas roupas e minhas louças.”

Avisem o Google.

FORMAÇÃO EM GESTÃO DE IA na ESPM

Se há um antídoto possível para essa avalanche é aprender a pensar estrategicamente sobre IA. É exatamente para isso que criamos a Formação em Gestão de IA da ESPM um programa para sair da ansiedade e construir vantagem competitiva real. Não é um curso para “usar ferramentas da semana”, mas para entender como implementar IA com visão de negócio, Ética, requalificação da equipe e geração concreta de valor. As inscrições para a turma de abril já estão abertas.

NO AR: INTELIGÊNCIA ORGÂNICA

Reflexões sobre tecnologia, pensamento crítico e o que nos torna humanos.

EP.87 – O COLAPSO DA EDUCAÇÃO, A FARSA GEOPOLÍTICA E O FUTURO DA MENTE | MATHEUS TOMOTO

A degeneração do ensino em uma indústria de certificações vazias escancara a vulnerabilidade de uma nação diante do avanço do tecnofeudalismo e das ilusões geopolíticas contemporâneas. Matheus Tomoto denuncia a cultura do imediatismo e propõe que a soberania individual não reside na adoção passiva da inteligência artificial, mas no resgate do pensamento profundo e da autonomia intelectual rigorosa. Entre o teatro das potências e a obsolescência acadêmica, o repertório denso e a recusa aos atalhos surgem como as únicas tecnologias capazes de preservar a essência da inteligência orgânica.

Ouça no Spotify | Assista no YouTube

EP.89 – POR QUE 90% DOS PROJETOS DE IA FALHAM? GESTÃO, FRAUDES E O CAMINHO DO MEIO | DOUGLAS STELLATO

A corrida febril pela automação frequentemente mascara um vazio de governança onde a tecnologia acelera, mas não corrige, falhas estruturais de gestão e ética. Douglas Stellato desconstrói a miragem da inteligência artificial como panaceia corporativa, reafirmando que a perenidade institucional ainda reside no equilíbrio entre processos rigorosos e a profundidade das relações humanas. Diante de bolhas especulativas e crises de confiança, o pragmatismo estratégico surge como a única ferramenta capaz de converter o hype digital em valor real e duradouro.

Ouça no Spotify | Assista no YouTube

Até a próxima, Pedro Cortella.

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