Semana passada dei uma entrevista em que me perguntaram, de surpresa, quem era meu ídolo. Dependendo do contexto, percebo que quem pergunta espera que eu responda que é meu pai. Mas não é, e eu geralmente explico o porquê no meio da resposta.
Dessa vez disse que meu ídolo é o George Carlin, um comediante norte-americano que conheci no YouTube há uns 15 anos. Desde então, tudo que ele falou influencia diretamente minha maneira de enxergar o mundo. Dá pra dizer que já vi e li tudo que existe sobre esse cara.
Mas pensando melhor, talvez Carlin não seja meu maior ídolo, pois ele já morreu. E idolatrar quem já morreu é fácil.
Quem morre cedo fica eterno porque não teve a chance de rasgar o próprio passado. Imagina que desespero ver Ayrton Senna envolvido na política atual. Quanto tempo os Mamonas Assassinas durariam sem uma briga entre os integrantes se não tivessem entrado naquele avião? Será que ainda lembraríamos deles?

Difícil é um ídolo que se mantém ídolo apesar das complicações que o tempo traz. Não há nada mais triste do que ver alguém que você idolatrava se tornar um velho tosco, e a porcaria das redes sociais faz isso acontecer vezes demais. Me arrependo de ter visto entrevistas do Eric Clapton durante a pandemia. Preferia ouvir seus blues sem saber sua opinião.
Por isso, há algum tempo passei a admirar outra coisa: longevidade com excelência.
Acabei de voltar de um fim de semana estendido na Bahia onde deu pra ver isso de perto: um cara de 74 anos que segue fazendo shows eletrizantes, às vezes depois de uma meia maratona. O nome dele é Bell Marques. Não me conte as opiniões dele, prefiro não saber. Também não importa se faz tempo que ele não emplaca uma música nova. Não quero música nova. O que ele faz ali no palco em pleno 2026 tá ótimo.
E são vários assim. Os clichês são Mick, Paul, Gil, Caetano e Chico. Mas se você reparar, até os ídolos da minha adolescência nos anos 90 (uma boa época para garotos que, como eu, amava Beatles e Rolling Stones) já são quase 60+.
Dave Grohl tem 57 anos, Thom Yorke também. Noel Gallagher, 59. Eddie Vedder tem 61. Todos os Titãs passaram dos 60. Herbert tem 65, Samuel 60. Estão em plena forma, ou quase isso, tocando para que plateias 40+ mergulhem na água quentinha dessa piscina lucrativa chamada nostalgia.
Gosto da coerência. Admiro o preparo. E desconfio que eles acharam a fonte da juventude muito antes de qualquer IA. No dia que conseguirem botar numa pílula a endorfina que esses caras recebem no palco, diante de uma multidão cantando a plenos pulmões um refrão que saiu da cabeça deles, esse será o elixir da vida eterna.
NO AR: INTELIGÊNCIA ORGÂNICA 🎙️ Reflexões sobre tecnologia, pensamento crítico e o que nos torna humanos.
🔹 EP.157 – COMPETÊNCIAS SOCIOEMOCIONAIS, O ÓBVIO DA EDUCAÇÃO E O RITMO DA TECNOLOGIA | ADRIANA MARTINELLI
A diretora de conteúdo da Bett Brasil, Adriana Martinelli, propõe uma reflexão sobre os rumos do desenvolvimento humano e o papel das escolas em meio às transformações tecnológicas. Com trajetória marcada pela fonoaudiologia, psicopedagogia e pela formação de educadores, Adriana defende a urgência de olhar para o indivíduo além da retenção conteudista de informações. O episódio analisa a importância da empatia real, da personalização do ensino e do diálogo entre pais e alunos, demonstrando como o resgate do óbvio e o olhar atento em sala de aula são os verdadeiros pilares da aprendizagem.
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🔹 EP.158 – A FELICIDADE IRRACIONAL, A CURVA ACHATADA E A NORMOPATIA DO TRABALHO | RENATA RIVETTI
A especialista em felicidade corporativa e futurista do trabalho, Renata Rivetti, compartilha os resultados de uma ampla pesquisa sobre a psique e o bem-estar do brasileiro. Renata analisa a quebra do padrão histórico da curva de felicidade em “U” — mostrando como os jovens hoje já iniciam a vida adulta altamente infelizes e solitários devido ao vício em redes sociais e à comparação contínua. O episódio desconstrói o happywashing e as dinâmicas corporativas de sobrecarga, compara o modelo de equilíbrio de vida dos países nórdicos com o esgotamento do mercado brasileiro e investiga o que realmente sustenta uma jornada com significado.
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Até a próxima, Pedro Cortella.
