Temos um carinho, um soft spot como diria o povo do marketing, para séries que abordam a adolescência.
Fomos criados à base de Barrados no Baile, Anos Incríveis, Confissões de Adolescente e das primeiras temporadas de Malhação — e estou falando da época raiz, aquela que tinha André Marques, Suzana Werner e Bruno de Luca no elenco.
Os personagens dificilmente fogem do clichê: o protagonista sensível que tem um melhor amigo e é apaixonado pela linda garota popular que namora o atleta valentão. A partir daí abre-se um arco de coadjuvantes em que a imaginação dos roteiristas voa — o obeso, o muito pobre, o muito rico, o desajustado, a bulímica, o gênio.
Na prática, em todas essas séries a turma é composta por representações exageradas da personalidade de todos nós nessa fase da vida. Tiro certo para capturar o espectador com um laço emocional difícil de desatar. Ao assistir, você volta para a sua época na escola, se identificando com os personagens.
Os americanos, que sempre batizam tudo, têm um nome específico para esse gênero audiovisual: coming-of-age drama, ou high school drama mesmo. Eu gosto de coming-of-age porque situa a trama exatamente sobre o que ela é — amadurecimento, chegada à idade adulta.

No último domingo à noite, uma grande obra desse gênero chegou ao fim — a meu ver, de maneira magistral. Desde a primeira temporada, Euphoria (HBO) é aclamada pela crítica por conseguir ser original dentro de uma fórmula tão batida quanto o coming-of-age drama. Pois bem: nessa terceira e última temporada, tudo que o diretor e criador da série, Sam Levinson, fez foi desagradar os críticos especializados.
Meteram o pau na história que não tem nada a ver com as temporadas anteriores, na sensualização excessiva, nas supostas pontas soltas do roteiro, na abordagem rasa dos problemas tocados.
Engraçado que foram uns cinco anos de hiato desde o fim da segunda temporada, então a expectativa estava alta. Para piorar, de lá para cá, vários atores revelados na série se tornaram grandes estrelas de Hollywood.
Por isso, penso que só o fato de existir uma terceira temporada que coloca ponto final na história daqueles ex-adolescentes já é lucro. Mesmo assim, parece que os críticos queriam que o diretor filmasse todo mundo na escola de novo.
Nos oito episódios finais, Sam Levinson não fez mais uma temporada de coming-of-age drama — fez um Breaking Bad faroeste tarantinesco com o “que fim levou” dos personagens que todo mundo se acostumou a ver no colégio.
Em meio a tanto conteúdo pasteurizado feito com IA, em meio a tantas séries rasas com roteiros e atuações medíocres, em meio a tanta história feita para parecer algo que lembra alguma coisa que você já viu — e por isso você fica grudado na tela. O fim de Euphoria foi, para mim, um respiro de humanidade. Arco narrativo forte, boas atuações, cenas marcantes, memoráveis e cômicas ao mesmo tempo. A cena final de Rue vai ficar comigo — com o perdão do trocadilho — ruminando por uns dias.
Muitas vezes eu concordo com os críticos. Dessa vez, discordo diametralmente. Que bom — faz parte da experiência humana construir a própria opinião. Em tempos de IA, sempre bom deixar registrado o que a gente pensa com a própria cabeça.
Fun fact: Zendaya é uma grande atriz — dizem que a melhor da geração Z. Seria como Leonardo DiCaprio é para nós, millennials. Mas, se você se lembrar bem, antes de Titanic, a primeira vez que vimos o DiCaprio foi como um junkie em Diário de um Adolescente.
Então dá para dizer que Zendaya viveu em Euphoria o mesmo personagem que DiCaprio em Diário de um Adolescente, certo? A pergunta que fica: qual será o Titanic dela?
NO AR: INTELIGÊNCIA ORGÂNICA – Reflexões sobre tecnologia, pensamento crítico e o que nos torna humanos.
EP.123 – DA UTI DO AVÔ AO VIBECODING: A REVOLUÇÃO MINIMAMENTE INVASIVA | DR. THIAGO JÚLIO
O radiologista Dr. Thiago Júlio compartilha como uma visita à UTI na adolescência despertou seu fascínio por uma medicina altamente tecnológica. O episódio reconecta a história da radiologia — uma especialidade essencialmente digital e pioneira em software — com o momento atual da inteligência artificial agêntica. Em um debate realista e sem misticismo sobre a evolução do hardware e o custo de processamento , Thiago explica por que o futuro de curto prazo pertence ao VibeCoding na saúde , permitindo que os próprios médicos criem aplicações granulares para resolver dores reais na enfermaria.
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EP.124 – NARRATIVAS LONGAS, ANCESTRALIDADE E A FIRMEZA PERMANENTE | JÉSSICA MOREIRA
A jornalista e escritora Jéssica Moreira traz um olhar profundo e contundente sobre o papel da comunicação comunitária e das narrativas de resistência. Criada em Perus, zona noroeste de São Paulo , ela resgata a história de luta do seu território — inspirada na “firmeza permanente” dos operários Queixadas — para discutir os lutos infinitos e as solidões fabricadas nas periferias brasileiras. Em um diálogo poético com Pedro, Jéssica defende o jornalismo literário como um espaço de densidade para desacelerar o tempo e explica por que uma cidade só pode ser considerada boa quando é boa primeiro para uma mulher negra, um idoso ou uma criança.
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Até a próxima, Pedro Cortella

