Desde que fundei a Sophya, minha agência de marketing digital, no final de 2017, apostei numa premissa empírica: a do fim do mainstream. A partir do momento em que passamos a consumir mídia intermediada por algoritmos de recomendação – mais ou menos no meio da década passada – entendi que produzir conteúdo para um determinado nicho seria mais vantajoso comercialmente do que seguir buscando agradar a todos.
Bolhas de conteúdo digital se retroalimentam e vão criando universos paralelos ultra individualizados. Nos últimos dez anos dediquei muitas horas de estudo a esse tema. Essas horas se transformaram em aulas, palestras e muitas conversas sobre essa mudança de hábito impulsionada pela tecnologia. Meu objetivo sempre foi entender os impactos sociais dessa fragmentação para traduzir isso em negócios.

Mas existem alguns acontecimentos que desafiam o fim da monocultura – como alguns estudiosos preferem rotular. A Copa do Mundo é um desses acontecimentos.
Não prever a Copa do Mundo em qualquer planejamento corporativo, empresarial ou comercial neste ano é um erro crasso.
E a verdade é que o tempo vai passando, os compromissos vão se acumulando, e mesmo a gente que vive de explicar e analisar as bolhas pode deixar a Copa nos atropelar.
Há algumas semanas, o número de visualizações do meu podcast, o Inteligência Orgânica, está muito abaixo da média histórica. Esse lugar que criei para ter conversas presenciais foi o que me salvou de uma depressão. Encontrar pessoas para falar sobre o futuro da humanidade em um mundo em que tudo é IA é justamente o que eu precisava para seguir produzindo e trabalhando, porque, em algum momento do fim de 2024, tudo estava em xeque.
Já são mais de 100 entrevistas, 50 mil inscritos no nosso canal no YouTube. “Um espaço de resistência dentro da Matrix”, como gosto de dizer. Uma bolha criada para furar bolhas, conversas improváveis com uma introdução sempre “pessimista”. Um trabalho que me enche de orgulho, mas que, neste junho/julho de 2026, cometeu a bobagem de não se dedicar a falar de futebol.
Nem um pouquinho.
Ao viver e apostar na nossa bolha, a da educação, do futurismo, do pensamento crítico, minha equipe e eu deixamos a peteca cair e não pautamos nem um ex-jogador entre os entrevistados para “surfar a onda” da Copa.
Como resultado, estamos pagando um preço alto. O algoritmo não tem entregado praticamente nada do que temos feito.
Não é uma newsletter para choramingar o baixo alcance orgânico que estamos tendo. Eu já estou na internet há tempo suficiente para saber que, em breve, o alcance volta. Não tenho dúvidas de que, daqui a um tempo, acertaremos mais um hit, mais um viral. A reflexão aqui é apenas para reconhecer o erro de menosprezar a capacidade de um evento global de bagunçar todas as bolhas na economia da atenção.
E te lembrar que, se você quiser ou precisar de um conteúdo que te dê respiro, já que não estamos, de forma alguma, repercutindo a Copa, vale se inscrever e acompanhar os episódios do Inteligência Orgânica.
E no mais, Vai, Brasil! Tão deixando a gente sonhar…
NO AR: INTELIGÊNCIA ORGÂNICA 🎙️ Reflexões sobre tecnologia, pensamento crítico e o que nos torna humanos.
🔹 EP.131 – O CAPITALÊS, O APAGÃO DOCENTE E A REDAÇÃO POÉTICA DA QUARTA SÉRIE | IRENE REIS
Irene Reis, fundadora do Reinventando a Educação, traz uma reflexão contundente e emocionante sobre a urgência de resgatar a humanidade e a autonomia nos processos de ensino e de trabalho. Falando a linguagem do “capitalês”, Irene demonstra como cuidar da saúde mental nas empresas gera retenção de capital e sustentabilidade a longo prazo. Relembrando o impacto histórico de ter sido ouvida na adolescência pela gestão educacional de Paulo Freire, ela detalha o funcionamento dos neurônios-espelho na sala de aula e faz um alerta urgente sobre o colapso de saúde mental infantojuvenil, mostrando como o conteudismo engessado e a falta de autonomia estão asfixiando os professores e murchando as mentes das novas gerações.
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🔹 EP.132 – AS CINCO SAÚDES, O APRENDIZADO SUSTENTÁVEL E A EXPANSÃO EMOCIONAL | LÚCIA BARROS
A jornalista e escritora Lúcia Barros, mestre em sociologia e especialista em neurociência do comportamento, propõe um mergulho profundo na busca por um otimismo ativo. Lúcia desconstrói a ideia de que somos escravos dos nossos pensamentos e detalha como o ser humano pode assumir seu senso de agência por meio do letramento emocional e do mindfulness. O episódio analisa os perigos de uma inteligência puramente racional e sem compaixão na liderança do Vale do Silício, detalha por que as emoções positivas funcionam como um banco de resiliência e investiga a drástica inversão da curva de felicidade e os novos padrões de infelicidade crônica entre os jovens.
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Até a próxima, Pedro Cortella.
