Gastei uma manhã inteira de trabalho e quase 600 reais em tokens para gerar um pedaço de 6 segundos de vídeo com IA. É isso mesmo que você leu. Seis segundos específicos de vídeo para cobrir a narração de uma história antiga que escuto desde que era criança.
Isabela, minha esposa, diz com razão que eu arrumo problema pra minha cabeça e ela está certa.
Acontece que, em alguns trabalhos audiovisuais que faço hoje em dia, eu ainda gosto de meter a mão na massa. Entenda-se por mão na massa, escrever, gravar e editar o que foi feito. É o jornalista de televisão que ainda resiste por baixo dessa nova identidade de futurista-empresário-professor que construí nos últimos anos.
Com IA, as possibilidades de edição de vídeo se tornaram tudo que a gente sempre sonhou. Com meros prompts dá pra criar explosões, cenários, dinossauros, monstros e qualquer efeito especial que a gente consiga imaginar. Chega de ficar pesquisando arquivos em fitas beta para cobrir o que o maldito do repórter inventou de falar. Agora é pedir e a IA cria do jeitinho que você quer.

Bem, mais ou menos.
Digamos que ela demora um tanto para deixar as coisas do jeitinho que você quer.
Nessa segunda de manhã, eu precisava de um vídeo bem específico: uma caixinha de pasta de dente numa linha de produção voando ao vento de um ventilador barato. Mas tinha que ser só uma caixinha, que se mexesse de maneira coerente com o vento do ventilador. Ou seja, ela só tinha que voar pro lado certo da bagaça e cair no chão.
Minha nossa senhora… Foi prompt pra lá, prompt pra cá. As caixinhas voavam de tudo que é jeito. Tinha vídeo que a esteira de produção sumia, outros que a caixinha ia pro lado oposto. A cada geração, mais tokens/dinheiro indo pelo ralo e nada da bendita pasta de dente cair pro lado certo. Fui mudando o prompt, joguei ele no gpt, no claude, gemini, coloquei imagens de referência, mudei o frame 1, ajustei o frame final para reduzir ambiguidade, enfim… fiz de tudo!
Quando já estava desistindo e restavam apenas 40 créditos, finalmente o vídeo ficou mais ou menos correto.
Total gasto: 4 horas de tentativas frustradas e 580 reais em tokens nos mais diversos modelos de geração de vídeo.
Esses 580 reais foram caros ou baratos?
Veja bem, eu não conseguiria produzir essa imagem numa linha de produção real por menos que isso. Sem imaginar o tempo que me tomaria, a produção e, claro, a burocracia. Portanto não, não foi caro. Do outro lado, 580 reais para 6 segundos de vídeo não é uma pechincha. Lá se foi um gasto que não estava previsto no orçamento. Ou seja, também não foi barato.
O interessante é que eu sei que existem profissionais (seres humanos mesmo) que conseguem esse mesmo resultado com IA por menos.
Quem está diariamente trabalhando com edição de vídeo e não fechou os olhos para IA está pegando as manhas para reduzir o custo de geração. Vão otimizando seus prompts para gerar imagens melhores mais rapidamente. Eliminando o custo de tentativas e erros que eu, que edito vídeos muito esporadicamente, cometo.
E aí a gente começa a ver sinais mais claros de uma profissão nascendo. O bom editor de vídeo do futuro é o que usa IA de forma otimizada, gera menos resíduo, economiza tokens entregando aquele mesmo vídeo cheio de gerações por IA de forma mais assertiva e eficiente. Há esperança!
NO AR: INTELIGÊNCIA ORGÂNICA 🎙️ Reflexões sobre tecnologia, pensamento crítico e o que nos torna humanos.
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A educadora Ivana Jauregui apresenta uma reflexão sobre a criação de filhos, o papel da primeira infância e o desenvolvimento de competências para um futuro incerto. Em um cenário dominado pelo acesso instantâneo a dados e ferramentas digitais, Ivana questiona o modelo educacional focado apenas na retenção de teorias e defende a transição da informação para a sabedoria — o saber fazer com o conhecimento. O episódio explora a importância de preservar a curiosidade natural , incentivar o protagonismo, o limites e o equilíbrio entre a escuta afetuosa e a presença dos pais.
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🔹 EP.146 – O PODER DA ESPERANÇA ATIVA, A POBREZA MENSTRUAL E OS DESAFIOS DAS POLÍTICAS PÚBLICAS | LARI AGOSTINI
A gestora e ativista de políticas públicas Lari Agostini propõe uma conversa aberta sobre o impacto da política na vida cotidiana. Lari defende o conceito de esperança ativa — um engajamento pragmático e construtivo, focado na resolução de problemas reais —, distanciando-o tanto da passividade quanto da polarização rasa. Especialista em saúde feminina e direitos das mulheres, ela aborda as barreiras enfrentadas para implementar o Programa de Dignidade Menstrual no Brasil, os gargalos de acesso gerados pela burocracia e pela exclusão digital, e a importância da articulação técnica e do diálogo para transformar a vida de quem está na ponta.
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Até a próxima, Pedro Cortella.
